português | english

A singularidade do Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção de Tabosa, situado no Concelho de Sernancelhe, surge de se tartar do último mosteiro cisterciense fundado em Portugal, destinado a monjas que seguiam a  observância Recoleta, e do seu enquadramento no sítio onde se instalou se manter praticamente intacto, nomeadamente no conjunto da sua Cerca de 2 hectares.

Esta Cerca, delimitada por altos e grossos muros de clausura (que chegam a ultrapassar os 6 metros de altura), tem uma enorma beleza e mantem a sua forma primitiva, com cursos de água a atravessá-la, mina e poças (exteriores) que abastecem o mosteiro através de aquedutos e levadas de pedra, e com as terras férteis e lameiros que se encontram no seu perímetro.

Mesmo a sua origem – o mosteiro foi edificado nos terrenos de uma antiga quinta existente no local, a Quinta da Luz – está bem presente no acesso aos terrenos interiores por um portão de quinta, fortificado, que dava acesso logo à antiga Quintã, às casa dos Foros de cima e à Cozinha, e atravéz dela, à Horta, às Casas dos Foros de baixo (as antigas lojas da primitiva casa da quinta) e à Cerca Velha.

O Espaço Cisterciense (no sentido de Mosteiro/Granja) que existe em Tabosa será talvez aquele que mais intacto e sem adulteramento se mantém em todo o país, no conceito de Mosteiro (e não de Convento) que veio a agregar à sua volta todo um povoado anteriormente inexistente: não apenas toda a área edificada – embora em parte em adiantada ruína – não sofreu qualquer adulteração arquitectónica desde a sua construção a partir de 1685 (data da construção da sua Igreja) e de 1692 (data da fundação do Mosteiro), como a componente hidráulica, horta, lameiro, terrenos frutícolas e muros, se mantêm no seu essencial como foram concebidos nos finais do séc. XVII aquando da fundação do Mosteiro.

A Igreja, de entrada lateral como era uso num convento ou mosteiro feminino, de recheio rico, apresenta uma extraordinária grade do Coro, recuado em relação ao altar mor e de dois pisos, toda feita de madeira. Na Igreja, sempre presentes, os diversos elementos de culto mariano, desde o altar dedicado a Nossa Senhora da Luz (e transladado da anterior capela situada naquilo que são hoje dependências do mosteiro), o altar mor com a imagem de Nossa Senhora da Assunção (a devoção do mosteiro) e as ladaínhas a Nossa Senhora presentesnos caixotões pintados no tecto da capela-mor.

O Mosteiro mantém o seu claustro de colunas toscanas no piso térreo, com o fontanário no centro do mesmo, e as ruínas dos compartimentos adjacentes – construídos segundo as regras de construção e com a disposição habitual nas abadias da Ordem de Císter.

No exterior do Mosteiro, permanecem a Hospedaria (mesmo em frente do terreiro exterior) e construída aquando do início das suas obras, as Casas erigidas para alojar os primeiros operários do Mosteiro, e a Via Sacra, erigida em 1746 no exterior da Igreja, ao longo dos caminhos do povoado que então se formava, e que foi recentemente restaurada.